Jangada, poema infantil de Juvenal Galeno

26 03 2009

jangada-mar-vermelho1

 

 

 

 

Jangada

 

Juvenal Galeno

 

 

Minha jangada de vela,

que vento queres levar?

tu queres vento da terra,

ou queres vento do mar?

 

Minha jangada de vela,

que vento queres levar?

Aqui no meio das ondas,

das verdes ondas do mar

és como que pensativa,

duvidosa a bordejar!

 

Saudades tens lá das praias,

queres na areia encalhar?

ou no meio do oceano

apraz-te as ondas sulca?

Minha jangada de vela,

que vento queres levar?

 

 

Em: Poemas para a infância, Henriqueta Lisboa, Rio de Janeiro, Edições de Ouro, s/d.

 

 

 

———

 

Juvenal Galeno da Costa e Silva ( Fortaleza, CE 1836 –Fortaleza, CE 1931)

Poeta.

 

 

Obras

 

A Machadada, poesia, 1860  

Ao imperador em sua partida para a guerra, poesia, 1872  

Canções da Escola, poesia, 1971  

Cantigas Populares, poesia, 1969  

Cenas cearenses, 1871  

Cenas Populares, poesia, 1971  

Evaristo Ferreira da Veiga, poesia   

Folhetins de Silvanos, poesia, 1891  

Lenda e Canções Populares, poesia, 1865  

Lira Cearense, poesia, 1972  

Medicina caseira, 1897  

Novas canções populares, s/d  

O eleitor, s/d

O Peregrino, 1862  

Porangaba, poesia, 1961  

Prelúdios Poéticos, poesia, 1856  

Quem com Ferro Fere, com Ferro Será Ferido,teatro, 1861

 

 

 

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—–

NOTA:  Em 1920 este poema  mais longo, com alguns versos a mais,  foi usado como letra para a música JANGADA de Alberto Nepomuceno.  Segue,

 

 

 

JANGADA

(1920)

 

Composição: Alberto Nepomuceno

Letra: Juvenal Galeno
 

 

Minha jangada de vela

Que vento queres levar?

Tu queres vento de terra

Ou queres vento do mar?

Minha jangada de vela

Que vento queres levar?

Aqui no meio das ondas

Das verdes ondas do mar

És como que pensativa

Duvidosa a bordejar!

 

Minha jangada de vela

Que vento queres levar?

 

Saudade tens lá das praias

Queres n’areia encalhar?

Ou no meio do oceano

Apraz-te as ondas sulcar?

Minha jangada de vela

Que vento queres levar?

Sobre as vagas, como a garça

Gosto de ver-te adejar

Ou qual donzela no prado

Resvalando a meditar

 

Ah! Minha jangada de vela

Que vento queres levar?


Ações

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9 responses

23 03 2011
Avatar de Andréia Andréia

Colega, lindo seu site…

Talvez vc possa me ajudar, estou em um dilema terrivel!
Estou fazendo um trabalho para a faculdade sobre a música no Brasil Império, achei Alberto Nepomuceno e agora esse escritor chamado Juvenal Galeno, mas não entendo nada!
A música tem letra mas não é cantada?por que isso?só achei essa música instrumental…

24 03 2011
Avatar de peregrinacultural peregrinacultural

Andréia, obrigada pela visita. Vamos ver se entendi. Você está fazendo um trabalho sobre música no Brasil Império… Juvenal Galeno, o poeta, cuja letra para uma música de Alberto Nepomuceno, não trabalhou durante o Brasil Império. Ele trabalhou durante o século XX. Já Alberto Nepomuceno trabalhou durante o século XIX, morrendo em 1920. Ele compôs uma música, entre muitas, para a qual Juvenal Galeno fez a letra. ou uma letra. A música pode ter sido feita anteriormente à letra. É essa a sua dúvida?

21 08 2014
Avatar de maria luzia de melo trindade maria luzia de melo trindade

Muito legal esse poema adorei

21 08 2014
Avatar de peregrinacultural peregrinacultural

Eu também gostei muito dele. 😉

18 01 2017
Avatar de Divanira Vieira Divanira Vieira

Que Bonito. amo tudo de Juvenal Galeno e tudo que é clássico;

19 01 2017
Avatar de peregrinacultural peregrinacultural

Verdade, ele sabe usar as imagens e a língua como ninguém.

7 02 2017
Avatar de Literatura Divina Literatura Divina

Um boa noite e parabéns bela página

11 09 2018
Avatar de Juvenal Galeno Costa e Silva Juvenal Galeno Costa e Silva

Senhores, estou em busca de um poema de Juvenal Galeno que, talvez, se intitule “SAUDADE” Não tenho certeza, posto que foi o PRIMEIRO poema que aprendi na minha vida, no primeiro ano do curso de alfabetização, aos 6 anos e meio de idade. Lembro-me de quatro estrofes por completo, mas não me lembro dos dois primeiros versos da última estrofe. Não consigo encontrar o poema neste site e, por tal motivo, vou escrever o que me lembro dele para facilitar a busca por parte dos responsáveis pelo site.

SAUDADE

Saudade, quanta saudade,
Dos tempos que la vão
Meu barquinho de papel,
Minha bolha de sabão.

Infância, que sorte cega,
Que ventania cruel,
Que enxurrada te carrega
Meu barquinho de papel?

Tudo muda, tudo passa
Neste mundo de ilusão
Vai para o céu a fumaça,
Fica na terra o carvão.

Esperanças logo desnudas (de minha autoria, para poder completar o poema)
A mente das auras ao tom, (idem)
Só tu coração não mudas,
Porque és puro e és bom.

O poema constava de meu livro de alfabetização e, à primeira leitura, eu o memorizei todinho, (tenho 72 anos). Agora, no entanto, não me lembro dos dois versos iniciais da quarta estrofe. Sei que as estrofes que eu elaborei combinam com o poema, mas, no entanto, também sei que o uso dos hipérbatos(anástrofes, no caso) não eram próprios para um poema que tem por finalidade despertar o gosto do estudante pela poesia, já que, naquela fase de estudos, o aluno ainda não tinha informação nenhuma sobre figuras de linguagem. Gostaria de saber se vocês poderiam encontrar o poema original para mim e me enviá-lo por completo. Devido a este primeiro poema que li em minha vida, hoje ,e interesso pelo versejar e pelo prosear, sendo meus favoritos João da Cruz e Sousa, Castro Alves, Drummond, etc. Também aprecio Neruda, Thomas Hood, William Blake, etc. Agradeço antecipadamente toda a atenção que este pedido certamente merecerá por parte do site.
Jundiaí, SP, 11/09/2018
Grato.

11 09 2018
Avatar de peregrinacultural peregrinacultural

Talvez seja porque o poema não é de Juvenal Galeno, mas de Guilherme de Almeida!

Vou postar no blog e aqui também nos comentários.

Coração

Lembrança, quanta lembrança
Dos tempos que já lá vão!
Minha vida de criança,
Minha bolha de sabão!

Infância, que sorte cega,
Que ventania cruel,
Que enxurrada te carrega,
Meu barquinho de papel?

Como vais, como te apartas,
E que sozinho que estou!
Ó meu castelo de cartas,
Quem foi que te derrubou?

Tudo muda, tudo passa
Neste mundo de ilusão;
Vai para o céu a fumaça,
Fica na terra o carvão.

Mas sempre, sem que te iludas,
Cantando num mesmo tom,
Só tu, coração, não mudas,
Porque és puro e porque és bom!

Guilherme de Almeida
(1890-1969)

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